domingo, 12 de julho de 2015

Lobão: Décadence sans élegance

Na noite de ontem, sábado, durante o show, ele chamou o Partido dos Trabalhadores de "cafona", "engano", "mentira", "bunda mole" e "paumolenga".

Até aí, normal.

Extrapola, no entanto, quando individualiza - e instiga - suas frustrações na figura da primeira mandatária do país. Para abordar apenas este aspecto.

Como ele, quando diz ter contribuído para a ascensão do PT, reconheço também que me encantei com suas canções em outros momentos da minha vida, contribuindo assim para o seu sucesso. Faz parte.

Todo respeito ao cidadão. Afinal, vivenciamos e apreciamos muito a democracia. Imagino que sobre seus travesseiros ele também o faça.

Hoje, bem mais distante dos meus/deles 30 anos, e ainda que por vezes contrariado, consigo lidar com algumas limitações que o tempo me impõe.

Torço para que o Lobão também consiga.

Bastaria a ele verdadeira compreensão cidadã de "Décadence Avec Élégance".

Contraponto


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Adesivo Dilma Gasolina


Uma homenagem às mães, avós, irmãs, namoradas, esposas, primas, amigas... desses infelizes criadores, compradores e divulgadores.

Como devem estar se sentindo agora essas mulheres?

Indo mais fundo, exceto aquelas com as quais esses imbecis (não só politicamente falando) não tenham - ou pelo menos não deveriam ter - relações sexuais, qual seria a leitura que fazem do fato? São elas a verdadeira representação do adesivo? Com que tipos de criaturas masculinas elas se entregam aos prazeres do corpo?

E se... Sim, e se entre criadores, compradores e divulgadores houver mulheres - porque não, né? - transfiro a homenagem aos homens que a elas se prendem por qualquer vínculo. E que tenham muita força, pois, sem querer me estender nos detalhes, vejo o problema de maneira ainda mais preocupante.

Tão grave quanto o fato em si é comportamento da nossa mídia. Pouco se viu além da blogosfera. Mesmo assim, quase que de maneira restrita aos chamados blogs sujos, quando deveria ter sido assunto editorial de todos os veículos de comunicação do país.

Cadê os Merval Pereira, Jabor, Reinaldo Azevedo, Lobão, Constantino, Villa, e mais ainda pelo gênero, Sheerezade, Joice Hasselmannas, Meninas do Jô...? Não acompanho todos, mas teria havido repercussão caso tivessem se pronunciado com a devida firmeza.

Em última instância, somos todos responsáveis pelo combate a esse tipo de manifestação. Que sociedade queremos construir? O silêncio justifica a preferência político-partidária? Se isso não bastar, que exemplo queremos deixar para os nossos jovens e crianças?

Será que um dia compreenderemos a verdadeira definição de liberdade de expressão? 

Espero que as autoridades ajam de maneira rápida para punir criminalmente essa verdadeira excrescência humana.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Nada é por acaso




Passado

José Maria Marin iniciou sua carreira política em 1963, ano em que se elegeu vereador em São Paulo, filiado ao Partido de Representação Popular, fundado pelo integralista Plínio Salgado. Em 1969, tornou-se presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Na década seguinte, foi deputado estadual pela ARENA, proferindo discursos inflamados contra a esquerda e em defesa do assassino e torturador [delegado] Sérgio Fleury. Apoiou os movimentos que levaram à tortura, morte e desaparecimento de centenas de brasileiros. O mais notório deles foi publicado em 9 de outubro de 1975 no Diário Oficial do Estado de São Paulo. O texto criticava a ausência da TV Cultura na cobertura de eventos do partido e exigia uma providência para que a "tranquilidade" voltasse a reinar no Estado. Mais tarde, o discurso passou a ser visto como uma das causas que levaram à morte do jornalista Vladimir Herzog 16 dias depois.


Presente

O Brasil vive um momento conturbado. Brasileiros nas ruas e nas sacadas paneleiras, ainda que sem maturidade política, capitaneados por movimentos ultradireitistas como MBL e Vem Pra Rua, reivindicam o fim da corrupção, o fora Dilma e leve PT com você, e até a volta dos militares.

A galera resolveu se vestir de verde e amarelo e escolheu logo a camisa da seleção brasileira de futebol.

A CBF, entidade maior do futebol brasileiro foi presidida até bem pouco atrás por José Maria Marin. Ele assumiu o posto em decorrência da renúncia de Ricardo Teixeira que não suportou uma enxurrada de denúncias depois de 23 anos de “reinado”.

Já Marin encerrou seu mandato tampão em 2014, mas não largou o osso. Assumiu a vice-presidência.

Ontem, 27 de maio de 2015, o país amanhece com a notícia da prisão do ex-governador biônico, apoiador da tortura militar, ex-presidente da CBF, ex-executivo da FIFA, banido que foi de qualquer atividade relacionada ao futebol. A acusação? Corrupção.

No mesmo dia chegavam a Brasília alguns brasileiros que “caminharam” de ônibus até lá com o intuito de exigir a instalação do processo de impeachment da Presidenta Dilma. O já famoso “Fora Dilma e leve o PT com você”.

Todos integrantes e representantes da mesma turma que decidiu vestir a camisa da seleção brasileira de futebol.

Fonte de consulta: Wikipedia