sexta-feira, 12 de julho de 2013

Touro 3 x 0 toureiro


Que me desculpem os apreciadores de touradas e rodeios, mas eu continuo torcendo para o sucesso dos animais. Não consigo compreender o prazer em sacrificar um touro na arena, tampouco a prática de comprimir a virilha dos animais para que eles, incomodados com a dor, contribuam para o "espetáculo".

terça-feira, 7 de maio de 2013

Papagaio de pirata


                                                                           Wikimedia Commons

São inúmeros e inegáveis os benefícios que as redes sociais nos trouxeram. Do simples prazer de compartilhar uma foto, ao lucro proporcionado por negócios que nesse ambiente prosperam.

Mas cá entre nós, é terrível ver como a grande maioria de nós ainda não aprendeu (será que conseguiremos?) a fazer melhor uso desses canais interativos.

O que mais me irrita é ver tanta gente distribuindo notícias, citações, opiniões, sem o menor critério. Fazem apenas transbordar os espaços disponíveis, tomando como verdades absolutas o que viram ou ouviram.

Preponderantemente, essa turma se divide em dois grupos. No primeiro, o mais perigoso, estão os mal-intencionados. Indivíduos que propagam mentiras sejam elas casos e fatos inventados ou manipulados. Já no segundo, a terra fértil que absorve e multiplica, não tão menos perigoso, estão os inocentes e/ou preguiçosos. Seus integrantes, ávidos por externarem opiniões, não se dispõem antes a uma rápida pesquisa na Internet para confirmar a veracidade do(s) fato(s),

Verdadeiros papagaios de pirata.

sexta-feira, 22 de março de 2013

segunda-feira, 18 de março de 2013

Com Drummond


É poeta, envelhecer é mesmo uma merda!

Mas...

Apesar das pedras no meio desse caminho, poder apreciar cada singelo momento da vida e agradecer sempre, seja lá a quem ou o que for o responsável, é algo muito especial.

A vida me tornou grato a tudo e tanto que me permitiu. Que me permitirá.

Da água que toca o meu corpo, ao amor que acalenta a minha alma.

Do sorriso que espreito num rosto qualquer, ao colo da mulher amada que acolhe meu corpo cansado.

Do sol que aquece as frias manhãs, à neve que teimosamente se debruça sobre galhos esguios.

Do vinho que saboreio, aos temperos que dão sabor à minha comida.

Dos orgasmos que já foram muitos, aos orgasmos que hoje nem tantos, mas ao abrigo do amor, muito mais intensos.

Das lágrimas que verto, às lágrimas que acolho.

Dos versos que leio, aos versos que insisto em parir.

E sempre movido a vida!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Boate Kiss - Uma reflexão


Por respeito, peço permissão a todas as famílias e amigos das mais de 230 vítimas do lamentável episódio.

Sempre que ocorre um evento de proporções absurdas como o incêndio na Boate Kiss em Santa Maria (RS) - com a perda de tantos jovens mal iniciando a vida - começam a aparecer as cobranças às autoridades, o descontentamento com as instituições, os xingamentos daqueles que se sentem traídos por políticos, policiais, bombeiros... Surgem também os iluminados de plantão, que se julgam conhecedores de tudo.

De outra parte, as autoridades correm para anunciar uma operação de fiscalização em casas noturnas e locais de grande aglomeração nas cidades. Algo que a princípio entendemos como positivo, mas que na verdade deve ser rotina, ato permanente.

É quando o óbvio se torna óbvio.

Nada contra. Tanto de um lado quanto de outro. Embora tardiamente, a fiscalização é bem-vinda. E quanto a nós cidadãos, devemos exercer os nossos direitos.

Quando falamos em cidadãos, incluímos também aqueles detentores de cargos políticos em todas as esferas de poder e os servidores públicos que respondem diretamente pela nossa segurança e bem-estar. Muito embora quase todas essas figuras ajam como se cidadãos não fossem.

Vivemos no Brasil. E por aqui parece mesmo que uns são mais ou menos cidadãos do que outros. Para alguns, apenas os direitos. Para outros, apenas os deveres. E carregamos todos nós a mesma dosagem tanto de um quanto de outro. Pode até parecer absurdo, mas há quem pense que não tem a obrigação de fazer valer os seus direitos (posto que me pertence, faço uso como e quando quiser). Só que, na medida em que abrimos mão, criamos brechas para que pessoas e/ou instituições pouco transparentes ou inescrupulosas possam se beneficiar. Já uma outra parte se esquece que a mesma determinação em exigir direitos vale também para o cumprimento de deveres. Em resumo, o cidadão tem o dever de fazer valer os seus direitos e a obrigação de cumprir com os seus deveres.

Somos a terra do “jeitinho”. Gostamos e queremos sempre levar vantagem. Achamos que aceitar propina não é crime, jogamos lixo na rua e depois choramos por ter perdido tudo com a forte chuva. Fingimos de égua quando a conta do bar, do restaurante, da boate ou seja lá o que for vem com valor abaixo do que foi efetivamente consumido, não devolvemos o dinheiro do troco a maior, e consideramos normal nos apoderarmos de um celular encontrado na rua (achado não é roubado). Transgredimos leis, estacionamos em fila dupla, utilizamos vagas destinadas a idosos e deficientes, e por aí vai.

Bandidos não nascem como tal. São transformados nisso. Se existe um "dono de boate" que não se preocupa com segurança, existe um “povo” que não se dá ao direito de se preocupar com isso e de se fazer respeitado como consumidor. Falta-nos essa cultura. Se existe um fiscal de prefeitura que concede alvará de funcionamento mediante propina é porque existe um "dono de boate" que acha normal pagar propina. O corruptor não sobrevive sem o corrupto e vice-versa. Falta-nos educação, vergonha na cara e honestidade. A educação (formal) não depende apenas do indivíduo, mas a honestidade e a vergonha vêm de berço. E de berço acalantado por pai e mãe e por governantes. Quando tivermos isso tudo, talvez nem tenhamos de cobrar de nossas autoridades, posto que elas saem da população, são crias da mesma mãe e do mesmo pai.

E deixo aqui para todos nós cidadãos, sem exceção, algo para refletir.

Atribuir responsabilidade exclusivamente aos governantes e àqueles investidos de poder para outorgar e fiscalizar não é também se desincumbir da própria responsabilidade?

Dos direitos, a grande maioria se lembra. Já os deveres... Bom, isso não é comigo! 

domingo, 26 de agosto de 2012

Pescaria em Alta Floresta MT



Desta vez, a Turma Mesa Hum voou para bem longe. Fomos para a Pousada Santa Rosa, no Rio Teles Pires. E bota longe nisso! Só para chegar a Alta Floresta, quase seis horas, incluindo o tempo com escalas em Brasília e Cuiabá.

A maioria de nós chegou na sexta-feira e se hospedou no Floresta Amazônica Hotel. Mas, antes mesmo de chegarmos ao hotel, fomos levados à casa do Silvio que já nos esperava no desembarque. Irmão do nosso companheiro Serginho, ele reside na cidade há 10 anos.


Tudo perfeito. Silvio e Miriam, os três filhos e as noras, nos proporcionaram ótimos momentos. Além de toda gentileza e simpatia, um almoço delicioso. Não bastasse, no sábado ainda tivemos um churrasco na casa de um dos filhos, o Cristiano. Até carne de paca (criada em cativeiro) foi servida. E, claro, muita cerveja bem gelada, porque o calor não nos dava trégua.


No domingo pela manhã embarcamos em aviões menores que nos levaram à pousada na beira do rio. Foram 40 minutos de voo sobre a floresta amazônica, um verdadeiro deleite para os nossos olhos. Sempre sobrevoando o Rio Teles Pires. E de repente, em meio a tanto verde, surge uma clareira abrigando uma pequena pista de pouso e a estrutura da pousada. Nada mais além da mata fechada e muita água.


A Pousada Santa Rosa fica a 160km da cidade (em linha reta), na margem esquerda do Rio Teles Pires que separa os estados do Mato Grosso e Pará. Um pouco mais acima, a noroeste, está o estado do Amazonas.



Tudo perfeito. Atendimento de primeiro mundo, copo sempre cheio, comida deliciosa. Um caldo de piranha beirando a perfeição. E peixe... Muito peixe, diariamente. Tanto no prato quanto no anzol.


Como em toda pescaria dessa turma, não faltou emoção. Quer seja pela quantidade e tamanho dos peixes ou mesmo um susto maior, quando Carlito, às 6:15h da madrugada, resolveu testar a robustez do concreto da passarela que dá acesso aos barcos.  E entre o cimento e o supercílio dele, ganhou o primeiro, claro. Mas, felizmente, nada grave.

No truco, Lalau levou a pior (há quem diga que é sempre assim...  rs). Diz ele que se lembra de algumas poucas vitórias. Já as derrotas ficam por conta de quem ganhou contar.

O maior peixe, desta vez, coube ao Márcio: um jundiá de 88kgs. Sim, isso mesmo! Não é mentira de pescador. Ao arremessar a isca artificial ele se vingou do Gilberto, seu companheiro de barco. Fisgou-o pelas costas. E foi tão bem fisgado que precisou ser levado ao posto médico da reserva indígena localizada rio acima. Lá, Dr. Serginho cuidou de retirar a garatéia.


Paulo Dias levou uma garrafa de cachaça de Ponte Nova, a Baltazar. E no nosso barco ela acabou se transformando em um hit. Sempre que os peixes demoravam a dar o ar da graça, tomávamos uma dose e cantarolávamos: Baltazar, Baltazar, tira logo essa uruca e traz os peixes para cá!




Foram 5 dias e meio de pescaria. Muitos e variados peixes, cerveja gelada, boa comida, paz pra alma e, como sempre, o prazer imenso de conviver com pessoas tão especiais.

...............................................................

Floresta Amazônica Hotel
www.fla.com.br

Pousada Santa Rosa
www.pousadasantarosa.com.br

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sexo casual


Dia desses, conversando com o meu pai, o assunto “sexo” entrou na roda. Disse-me que no seu tempo (ele tem hoje 60 anos) transar entre amigos (ou sexo casual) passou a ser algo comum. Vale ressaltar que a sua memória remonta aos anos 1970 e tinha como ambiente o meio universitário.

Bem sabemos que até então havia uma repressão muito forte aos costumes. A regra para as mulheres era esperar o casamento para iniciar a vida sexual. Já os homens, quase que sem exceção, davam os primeiros passos nessa direção valendo-se das famosas “zonas” e suas mulheres de “vida fácil”.

A década ficou marcada pela “revolta dos sutiãs”, com movimentos feministas eclodindo mundo afora. Entre nós, não podia ser diferente, as primeiras marolas foram bater no meio universitário. O que até então era guardado no íntimo de cada pessoa passou a ser discutido, questionado e barreiras começaram a ruir.

Foi nesse clima que fazer sexo com amigo (a) ganhou ares de normalidade. Afinal, para que exigir laços sentimentais? Bobagem, bradava-se. E não precisou mais do que uma década para que tal pensamento ultrapassasse os muros das universidades.

Para papai, que vivenciou esse processo, algo se perdeu pelo caminho. Com um olhar no passado, devo concordar. No afã de se romper com um modelo rígido e machista, caminhou-se de um extremo ao outro.

Permitam-me um parêntese. A meninada de hoje não tem a exata noção do quão difícil era o tema “sexo” naquele tempo, bem como as consequências decorrentes de sua prática. Especialmente para as mulheres. Aquelas que se arvoravam e decidiam abrir mão da virgindade antes do casamento acabavam enfrentando toda sorte de preconceito, tanto dentro como fora do âmbito familiar. Não raro jovens mulheres eram colocadas para fora de casa apenas por isso - sem falar de gravidez acidental. Entre os homens, machistas em sua grande maioria, casar com uma companheira que tivesse iniciado a vida sexual antes, era uma vergonha. Impensável.

Algo precisava ser feito. E foi. Porém, percebe-se que o ponto de equilíbrio ficou mesmo para o futuro. Não era motivo de preocupação. O importante era soltar as amarras, desprender-se, libertar-se.

40 anos passados, duas gerações depois, vivemos hoje numa sociedade sem limites quando o tema é a prática sexual. A galera, cada vez mais cedo, e mesmo sem o conhecimento e maturidade necessária, começa a frequentar essa praia. Fontes de informação não faltam. O problema é que são em número ainda maior as fontes de estímulo ao erotismo.

Papai não sabe dizer se isso é melhor ou pior. Sabe apenas que é diferente. Tem consciência de que não dava pra viver sob a mordaça da hipocrisia, da repressão comportamental. Mas afirma - com autoridade de quem viveu naquela época - que é preciso se buscar, mais do que nunca, o meio termo. O meio do caminho, o tal do ponto de equilíbrio. Permitir-se, usufruir do que é bom e natural, mas ter sempre à vista um “manual de bons costumes” e muito, mas muito critério.

Pensei muito sobre isso. Pense você também. Logo teremos os nossos filhos. E com eles, o duro papel de educador. E se a nossa geração ainda não encontrou o ponto de equilíbrio, será dos nossos filhos essa importante missão.

Texto: Anna Hill, 20 anos.