terça-feira, 28 de junho de 2011

Por que o carro é mais barato na Argentina e no Chile?

Veja o que as montadoras falam (e o que não falam) sobre o assunto


O Lucro Brasil não fica só na montadora, mas em toda a cadeia produtiva
A ACARA, Associacion de Concessionários de Automotores De La Republica Argentina, divulgou no congresso dos distribuidores dos Estados Unidos (N.A.D.A), em São Francisco, em fevereiro deste ano, os valores comercializados do Corolla em três países:
No Brasil o carro custa US$ 37.636,00, na Argentina US$ 21.658,00 e nos EUA US$ 15.450,00.
Outro exemplo de causar revolta: o Jetta é vendido no México por R$ 32,5 mil. No Brasil esse carro custa R$ 65,7 mil.
Por que essa diferença? Vários dirigentes foram ouvidos com o objetivo de esclarecer o “fenômeno”. Alguns “explicaram”, mas não justificaram. Outros se negaram a falar do assunto.
Quer mais? O Gol I-Motion com airbags e ABS fabricado no Brasil é vendido no Chile por R$ 29 mil. Aqui custa R$ 46 mil.
O Corolla não é exceção. O Kia Soul, fabricado na Coréia, custa US$ 18 mil no Paraguai e US$ 33 mil no Brasil. Não há imposto que justifique tamanha diferença de preço. 
A Volkswagen não explica a diferença de preço entre os dois países. Solicitada pela reportagem, enviou o seguinte comunicado:
“As principais razões para a diferença de preços do veículo no Chile e no Brasil podem ser atribuídas à diferença tributária e tarifária entre os dois países e também à variação cambial”.
Questionada, a empresa enviou nova explicação:
“As condições relacionadas aos contratos de exportação são temas estratégicos e abordados exclusivamente entre as partes envolvidas”.
Nenhum dirigente contesta o fato de o carro brasileiro ser caro. Mas o assunto é tão evitado que até mesmo consultores independentes não arriscam a falar, como o nosso entrevistado, um ex-executivo de uma grande montadora, hoje sócio de uma consultoria, e que pediu para não ser identificado.
Ele explicou que no segmento B do mercado, onde estão os carros de entrada, Corsa, Palio, Fiesta, Gol, a margem de lucro não é tão grande, porque as fábricas ganham no volume de venda e na lealdade à marca. Mas nos segmentos superiores o lucro é bem maior.
O que faz a fábrica ter um lucro maior no Brasil do que no México, segundo consultor, é o fato do México ter um “mercado mais competitivo” (?).
Um dirigente da Honda, ouvido em off, responsabilizou o “drawback”, para explicar a diferença de preço do City vendido no Brasil e no México. O “drawback” é a devolução do imposto cobrado pelo Brasil na importação de peças e componentes importados para a produção do carro. Quando esse carro é exportado, o imposto que incidiu sobre esses componentes é devolvido, de forma que o “valor base” de exportação é menor do que o custo industrial, isto é: o City é exportado para o México por um valor menor do que os R$ 20,3 mil. Mas quanto é o valor dos impostos das peças importadas usadas no City feito em Sumaré? A fonte da Honda não responde, assim como outros dirigentes da indústria se negam a falar do assunto.
Mas quanto poderá ser o custo dos equipamentos importados no City? Com certeza é menor do que a diferença de preço entre o carro vendido no Brasil e no México (R$ 15 mil).
A conta não bate e as montadoras não ajudam a resolver a equação. Apesar da grande concorrência, nenhuma das montadoras ousa baixar os preços dos seus produtos. Uma vez estabelecido, ninguém quer abrir mão do apetitoso “Lucro Brasil”.
Ouvido pela AutoInforme, quando esteve em visita a Manaus, o presidente mundial da Honda, Takanobu Ito, respondeu que, retirando os impostos, o preço do carro no Brasil é mais caro que em outros países porque “aqui se pratica um preço mais próximo da realidade. Lá fora é mais sacrificado vender automóveis”.
Ele disse que o fator câmbio pesa na composição do preço do carro no Brasil, mas lembrou que o que conta é o valor percebido. “O que vale é o preço que o mercado paga”.
E porque o consumidor brasileiro paga mais do que os outros?
“Eu também queria entender – respondeu Takanobu Ito – a verdade é que o Brasil tem um custo de vida muito alto. Até os sanduíches do McDonalds aqui são os mais caros do mundo”.
“Se a moeda for o Big Mac – confirmou Sérgio Habib, que foi presidente da Citroën e hoje é importador da chinesa JAC - o custo de vida do brasileiro é o mais caro do mundo. O sanduíche custa US$ 3,60 lá e R$ 14,00 aqui”. Sérgio Habib investigou o mercado chinês durante um ano e meio à procura por uma marca que pudesse representar no Brasil. E descobriu que o governo chinês não dá subsídio à indústria automobilística; que o salário dos engenheiros e dos operários chineses não são menores do que os dos brasileiros.
“Tem muita coisa errada no Brasil – disse Habib, não é só o preço do carro que é caro. Um galpão na China custa R$ 400,00 o metro quadrado, no Brasil custa R$ 1,2 mil. O frete de Xangai e Pequim custa US$ 160,00 e de São Paulo a Salvador R$ 1,8 mil”.
Para o presidente da PSA Peugeot Citroën, Carlos Gomes, os preços dos carros no Brasil são determinados pela Fiat e pela Volkswagen. “As demais montadoras seguem o patamar traçado pelas líderes, donas dos maiores volumes de venda e referência do mercado”, disse.
Fazendo uma comparação grosseira, ele citou o mercado da moda, talvez o que mais dita preço e o que mais distorce a relação custo e preço:
“Me diga, por que a Louis Vuitton deveria baixar os preços das suas bolsas?”, questionou.
Ele se refere ao “valor percebido” pelo cliente. É isso que vale.
“O preço não tem nada a ver com o custo do produto. Quem define o preço é o mercado”, disse um executivo da Mercedes-Benz, para explicar porque o brasileiro paga R$ 265.00,00 por uma ML 350, que nos Estados Unidos custa o equivalente a R$ 75 mil.
“Por que baixar o preço se o consumidor paga?”, explicou o executivo.
Amanhã a terceira e última parte da reportagem especial LUCRO BRASIL: “Quando um carro não tem concorrente direto, a montadora joga o preço lá pra cima. Se colar, colou”.


Fonte: UOLCarros

Lucro Brasil - O carro mais caro do mundo

Lucro Brasil faz o consumidor pagar o carro mais caro do mundo


O Brasil tem o carro mais caro do mundo. Por quê? Os principais argumentos das montadoras para justificar o alto preço do automóvel vendido no Brasil são a alta carga tributária e a baixa escala de produção. Outro vilão seria o “alto valor da mão de obra”, mas os fabricantes não revelam quanto os salários – e os benefícios sociais - representam no preço final do carro. Muito menos os custos de produção, um segredo protegido por lei.
A explicação dos fabricantes para vender no Brasil o carro mais caro do mundo é o chamado Custo Brasil, isto é, a alta carga tributária somada ao custo do capital, que onera a produção. Mas as histórias que você verá a seguir vão mostrar que o grande vilão dos preços é, sim, o Lucro Brasil. Em nenhum país do mundo onde a indústria automobilística tem um peso importante no PIB, o carro custa tão caro para o consumidor.
A indústria culpa também o que chama de Terceira Folha pelo aumento do custo de produção: gastos com funcionários, que deveriam ser papel do estado, mas que as empresas acabam tendo que assumir, como condução, assistência médica e outros benefícios trabalhistas. Só a Mercedes-Benz tem uma frota de três mil ônibus para transportar funcionários.
Com um mercado interno de um milhão de unidades em 1978, as fábricas argumentavam que seria impossível produzir um carro barato. Era preciso aumentar a escala de produção para, assim, baratear os custos dos fornecedores e chegar a um preço final no nível dos demais países produtores.
Pois bem: o Brasil fechou 2010 como o quinto maior produtor de veículos do mundo e como o quarto maior mercado consumidor, com 3,5 milhões de unidades vendidas no mercado interno e uma produção de 3,638 milhões de unidades.
Três milhões e meio de carros não seria um volume suficiente para baratear o produto? Quanto será preciso produzir para que o consumidor brasileiro possa comprar um carro com preço equivalente ao dos demais países?
Segundo Cledorvino Belini, presidente da Anfavea, “é verdade que a produção aumentou, mas agora ela está distribuída em mais de 20 empresas, de modo que a escala continua baixa”. Ele elegeu um novo patamar para que o volume possa propiciar uma redução do preço final: cinco milhões de carros.  
A carga tributária caiu e o preço do carro subiu
O imposto, o eterno vilão, caiu nos últimos anos. Em 1997, o carro 1.0 pagava 26,2% de impostos, o carro com motor até 100cv recolhia 34,8% (gasolina) e 32,5% (álcool). Para motores mais potentes o imposto era de 36,9% para gasolina e 34,8% a álcool.
Hoje – com os critérios alterados – o carro 1.0 recolhe 27,1%, a faixa de 1.0 a 2.0 paga 30,4% para motor a gasolina e 29,2% para motor a álcool. E na faixa superior, acima de 2.0, o imposto é de 36,4% para carro a gasolina e 33,8% a álcool.
Quer dizer: o carro popular teve um acréscimo de 0,9 ponto percentual na carga tributária, enquanto nas demais categorias o imposto diminuiu: o carro médio a gasolina paga 4,4 pontos percentuais a menos. O imposto da versão álcool/flex caiu de 32,5% para 29,2%. No segmento de luxo, o imposto também caiu: 0,5 ponto no carro e gasolina (de 36.9% para 36,4%) e 1 ponto percentual no álcool/flex.
Enquanto a carga tributária total do País, conforme o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, cresceu de 30,03% no ano 2000 para 35,04% em 2010, o imposto sobre veículo não acompanhou esse aumento.
Isso sem contar as ações do governo, que baixaram o IPI (retirou, no caso dos carros 1.0) durante a crise econômica. A política de incentivos durou de dezembro de 2008 a abril de 2010, reduzindo o preço do carro em mais de 5% sem que esse benefício fosse totalmente repassado para o consumidor.
As montadoras têm uma margem de lucro muito maior no Brasil do que em outros países. Uma pesquisa feita pelo banco de investimento Morgan Stanley, da Inglaterra, mostrou que algumas montadoras instaladas no Brasil são responsáveis por boa parte do lucro mundial das suas matrizes e que grande parte desse lucro vem da venda dos carros com aparência fora-de-estrada. Derivados de carros de passeio comuns, esses carros ganham uma maquiagem e um estilo aventureiro. Alguns têm suspensão elevada, pneus de uso misto, estribos laterais. Outros têm faróis de milha e, alguns, o estepe na traseira, o que confere uma aparência mais esportiva.  
A margem de lucro é três vezes maior que em outros países
O Banco Morgan concluiu que esses carros são altamente lucrativos, têm uma margem muito maior do que a dos carros dos quais são derivados. Os técnicos da instituição calcularam que o custo de produção desses carros, como o CrossFox, da Volks, e o Palio Adventure, da Fiat, é 5 a 7% acima do custo de produção dos modelos dos quais derivam: Fox e Palio Weekend. Mas são vendidos por 10% a 15% a mais.
O Palio Adventure (que tem motor 1.8 e sistema locker), custa R$ 52,5 mil e a versão normal R$ 40,9 mil (motor 1.4), uma diferença de 28,5%. No caso do Doblò (que tem a mesma configuração), a versão Adventure custa 9,3% a mais.
O analista Adam Jonas, responsável pela pesquisa, concluiu que, no geral, a margem de lucro das montadoras no Brasil chega a ser três vezes maior que a de outros países.
O Honda City é um bom exemplo do que ocorre com o preço do carro no Brasil. Fabricado em Sumaré, no interior de São Paulo, ele é vendido no México por R$ 25,8 mil (versão LX). Neste preço está incluído o frete, de R$ 3,5 mil, e a margem de lucro da revenda, em torno de R$ 2 mil. Restam, portanto R$ 20,3 mil.
Adicionando os custos de impostos e distribuição aos R$ 20,3 mil, teremos R$ 16.413,32 de carga tributária (de 29,2%) e R$ 3.979,66 de margem de lucro das concessionárias (10%). A soma dá R$ 40.692,00. Considerando que nos R$ 20,3 mil faturados para o México a montadora já tem a sua margem de lucro, o “Lucro Brasil” (adicional) é de R$ 15.518,00: R$ 56.210,00 (preço vendido no Brasil) menos R$ 40.692,00.
Isso sem considerar que o carro que vai para o México tem mais equipamentos de série: freios a disco nas quatro rodas com ABS e EBD, airbag duplo, ar-condicionado, vidros, travas e retrovisores elétricos. O motor é o mesmo: 1.5 de 116cv.
Será possível que a montadora tenha um lucro adicional de R$ 15,5 mil num carro desses? O que a Honda fala sobre isso? Nada. Consultada, a montadora apenas diz que a empresa “não fala sobre o assunto”.
Na Argentina, a versão básica, a LX com câmbio manual, airbag duplo e rodas de liga leve de 15 polegadas, custa a partir de US$ 20.100 (R$ 35.600), segundo o Auto Blog.
Já o Hyundai ix35 é vendido na Argentina com o nome de Novo Tucson 2011 por R$ 56 mil, 37% a menos do que o consumidor brasileiro paga por ele: R$ 88 mil. 
Leia amanhã a 2º parte da reportagem especial LUCRO BRASIL:
  • Por que o mesmo carro é mais barato na Argentina e no Chile?
Fonte: UOL Carros

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Sexo, segundo Edir Macedo





Extraído do livro "Castigo Divino" da Igreja Universal do Reino de Deus

Veja alguns dos ensinamentos do bispo sobre o pecado da prática sexual:

Posição de quatro - É uma das posições mais humilhantes para a mulher, pois ela fica prostrada como um animal enquanto seu parceiro ajoelhado a penetra. Animais são seres que não possuem espírito, então o homem que faz o cachorrinho com sua parceira fica com sua alma amaldiçoada e fétida.

Sexo Oral - O prazer de levar um órgão sexual a boca é condenado pelas leis divinas. A boca foi feita para falar e ingerir alimentos e a língua para apreciar os sabores. A mulher engolindo o sêmen não vai ter filhos. E o homem somente sentirá dores musculares na língua ao sugar a vagina de sua parceira.

Sexo Anal - O ânus é sujo, fétido e possui em suas paredes milhões de bactérias. É o esgoto propriamente dito. No esgoto só existem ratos, baratas e mendigos. A pessoa que sodomiza ou é sodomizada se iguala a um rato pestilento. Seu espírito permanece imundo e amaldiçoado. Mas o pior é quando o ato é homossexual, pois o passaporte dessa infeliz criatura já está carimbado nos confins do inferno.

Veja a maneira certa de se relacionar sexualmente, segundo a cartilha:

Posição Recomendada - O homem e a mulher devem lavar suas partes com 1 litro de água corrente misturado com uma colher de vinagre e outra de sal grosso. Após isso, a mulher deve abrir as pernas e esperar o membro enrijecido do seu parceiro para iniciar a penetração. O homem após penetrar a mulher, não deve encostar seu peito nos seios dela, pois a fêmea deve estar rezando aos santos para que seu óvulo esteja sadio ao encontrar o espermatozóide. (A Universal condena a adoração de santos, o cara nem se tocou da gafe, ou não sabe o que prega)

Depois do ato sexual, os dois devem rezar, pedindo perdão pelo prazer proibido do orgasmo.

Como penitência - O açoite com vara de bambu é aceito como forma de purificação.

Dúvida do blogueiro - Água, vinagre, sal grosso...  Isso é sexo ou churrasco?

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sobre filhos II


Para quem não sabe, essas duas figurinhas da foto são meus filhos:  Pedro e João.  

Muito se diz sobre filhos pequenos, bebês, primeiros passos, primeiras palavras.  Ouvi muito e repito sempre que posso: curta seus filhos pequenos o máximo que puder, pois apesar de todo trabalho que dão, chegará um dia em que você terá saudade desse tempo.

Tive um companheiro de trabalho que anotava em um caderno as frases engraçadas que ouvia dos seus filhos.  Não cheguei a esse ponto.  Mas dos meus, guardei na memória uma de cada um deles.  E hoje, sabe-se lá as razões, lembrei-me delas.

Quando eles eram pequenos e a situação fugia um pouco do controle, eu ligava um projetor e mostrava alguns de centenas de slides que tinha - e ainda tenho, embora o projetor eu já não saiba mais por onde anda. Isso os distraia, despertava curiosidade e os acalmava.

A lógica infantil

Certo dia, ao chegar em casa ainda com a luz do dia, Pedro me pediu para "mostrar fotos na parede".  Pedi a ele que esperasse até que anoitecesse. Ele insistiu. Disse então que ainda estava claro e que a projeção requeria escuridão para ficar mais bonito.  Ele então caminhando em direção ao interruptor de luz e já com o dedinho esticado para apertar, disparou:  mas pai, é só acender o escuro!

Vício - O bico (chupeta) e o cigarro

João, o caçula, chupou bico até lá pelos 5 anos de idade. Fizemos de tudo para convencê-lo a parar, mas não teve jeito. Nos últimos tempos chegava a ser engraçado. Ele se punha a brincar numa rodinha com outras crianças e colocava o bico no chão, ao seu lado. De tempos em tempos estendia a mão, levava o bico à boca para umas chupadinhas e retornava com ele ao chão.

Já bem perto de parar - eu já nem lembro como foi - ele me viu acendendo um cigarro próximo à janela e falou: pai, para de fumar!  Respondi que precisava mesmo parar, mas que não era nada fácil. E ele retrucou: claro que é fácil... Basta você não comprar mais cigarro. Eu insisti: João, não é tão simples assim... Se fosse, papai já teria parado há tempos. E ele continou: ah, é fácil sim... Não compra... Não tem cigarro, não fuma.

Como ele não se dava por vencido, fiz uma proposta: então façamos um trato assim...  Eu paro de fumar e você para de chupar bico. Ele pensou por uns instantes, me olhou firme nos olhos e disparou: é pai, é duro mesmo parar de fumar!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Deu zebra

Fonte: UOL - Foto: Thomas Whetten
Vai mexer com quem tá quieto! O Rei da selva se deu mal nessa. Será que se tornará vegetariano?  Ainda bem que o bife que comemos já vem pronto!

terça-feira, 22 de março de 2011

Chile e Argentina


Estivemos no Chile em 2008 e resolvemos voltar agora.  A idéia inicial era descer até a região mais fria, Puerto Varas e Puerto Mont. Fomos alertados para o fato de que nessa época do ano não é tão bonito por lá devido à temperatura mais elevada, inviabilizando o que a região tem de mais interessante que é a paisagem nevada.  E foi assim que incluímos Mendoza em nosso roteiro.
O desejo de atravessar os Andes de carro já era antigo.  Aumentou na primeira ida ao Chile quando pudemos ver de cima a estrada que liga os dois países. 
Descemos em Santiago no início da tarde e do aeroporto já pegamos a estrada que nos levaria a Mendoza.  Alugamos um carro pequeno, pois não há necessidade de um 4x4 como algumas pessoas chegaram a sugerir.  A estrada é ótima do começo ao fim.  Cabe apenas lembrar que para ingressar na Argentina é necessário uma licença especial e um seguro que é feito pela própria locadora, com custo de US$ 190 e válido por 30 dias.  Sem isso não se cruza a fronteira. A solicitação deve ser feita com antecedência mínima de 10 dias.
No caminho, paramos em Los Andes, a pouco menos de 100 km de Santiago.  Uma cidade dormitório que não oferece muita coisa para o turista.  Almoçamos num lugar simples, mas com boa comida. Já à noite, tivemos dificuldade para encontrar um restaurante. Dormimos ali e saímos no começo da manhã, pois queríamos fazer o percurso todo durante o dia.
É indescritível a beleza dos Andes.  A imensidão, o silêncio, as cores.  Uma paisagem incrivelmente colorida, mesmo em seus tons predominantemente monocromáticos.  E apesar do verão, ainda há muita neve pra ser vista nas partes mais elevadas da cordilheira.

A partir de Santiago, são 200 km até a fronteira com Argentina.  E a passagem de carro pela aduana é meio complicada.  Processo lento. Documentação pessoal, documentação do carro. Vistoria de bagagem.  Mesmo com poucos carros à nossa frente, perdemos quase uma hora. E se você tiver qualquer tipo de alimento in natura no carro, coma antes da fronteira. 
Saindo da aduana, logo à frente, está o Parque Nacional do Aconcágua.  Parada obrigatória.  São 10 pesos argentinos para entrar, com direito a estacionamento e uma trilha de 2 km para se avistar a imponência do “Sentinela de Pedra”.






A menos de 10 km abaixo do Parque está a Ponte dos Incas.  Outra parada obrigatória.  Há bares, lojas e barracas de artesanatos e uma obra de arte criada pela natureza.  A ponte era utilizada pelos incas quando de suas incursões em terras argentinas.

É interessante como a paisagem muda após a passagem do Túnel Cristo Redentor que separa os dois países.  A cordilheira é a mesma.  Mas as cores, formas e tipo de solo são diferentes.  No Chile a predominância é pedra.  Já na Argentina, há mais terra.  A estrada também muda. Vai margeando um rio, praticamente sem serra. E já se vê mais verde também.  E em meio a um deserto, de repente, surge à nossa frente uma imensa represa de cor azul, o Dique Potrerillos.  A fonte que abastece de água doce toda a região de Mendoza.






 
Deixando a cordilheira já começamos a avistar as videiras. Mendoza é uma videira!  Para todos os lados que se olha, uva. São centenas de vinícolas espalhadas pela cidade.


E o que não é uva é área verde. Creio que não há outra cidade com maior concentração de verde por metro quadrado.  E a região é um deserto. A cidade foi destruída por um terremoto por volta de 1860.  Na reconstrução, o planejamento se baseou na prática dos incas e canais de irrigação foram abertos em todas as ruas da cidade. A água que circula por esses canais irriga as centenárias árvores, que em algumas calçadas foram plantadas em duas fileiras, distantes 2ms uma das outras. Um exemplo do que a mão do homem é capaz de fazer!


Mendoza é para quem gosta de vinho. De bons vinhos, diga-se.  Como disse, não centenas de vinícolas.  Para todos os gostos e orçamentos.  Para visitar as maiores é preciso agendar antes de viajar.  Basta uma rápida pesquisa na Internet.  Para as pequenas o agendamento é dispensável.  E elas são muitas. Algumas orgânicas. Há também pequenas propriedades que produzem compotas, geléias, azeite, que merecem uma visita.
Entre as grandes, a Família Rutini - hoje Viña San Felipe, Bodega La Rural - mantém o Museu do Vinho, onde é possível conhecer equipamentos e utensílios utilizados desde o século 19.  A visita é guiada e nos permite conhecer as etapas de produção, da videira à garrafa, terminando com uma rápida degustação.  Ah, fora as pequenas, é a única que não cobra para visitar.  Basta agendar previamente.



Outra que não podemos deixar de sugerir é a Melipal.  Além dos bons vinhos que oferece, a visita inclui um delicioso almoço que pode ser servido numa varanda de onde se avista os topos nevados da cordilheira. Imperdível!





Para quem gosta de beber um pouquinho mais, é interessante contratar um transporte para visitar as vinícolas.  Há vários prestadores desse serviço por lá.
Embora Mendoza ofereça várias opções de hotéis na região central, optamos por uma pequena pousada localizada em Chacras de Coria, distante 15 km da cidade. Existem também algumas vinícolas que oferecem hospedagem.
A cidade vale a pena conhecer, claro.  Mas o charme maior, certamente, está no entorno dela. 
Não deixe de saborear um sorvete de doce de leite.  Perfeito.  Tanto quanto o capuccino. Não deixe também de ir ao Azafrán, um restaurante delicioso na região central. Importante fazer reserva de horário.


Retornamos a Santiago na quinta-feira de onde regressamos no domingo pela manhã.  Para hospedagem, procuramos o mesmo hotel da vez passada, mas não havia vaga.  O próprio hotel nos ofereceu um apartamento há menos de 100ms, na mesma rua.  Ficamos meio receosos.  Mas acabamos fechando.  E foi uma ótima surpresa.  Suíte com banheira, copa e cozinha equipada, duas TVs, Internet, ferro e tábua de passar, arrumadeira. O café da manhã é servido no próprio hotel. Diária: US 95, contra US 120 do hotel.  E ainda pode acomodar mais uma pessoa ou um casal até, em ótimo sofá na sala.  E o melhor de tudo: fica no bairro de Providencia, seguramente um dos melhores lugares de Santiago, com ótimos restaurantes, bares, cafés e por onde se pode caminhar a pé tranquilamente. E com metrô e várias linhas de ônibus na esquina.  Para passeios noturnos, o uso de táxi é mais aconselhável e com tarifas bem acessíveis.
Alugar um carro em Santiago pode ser interessante para melhor mobilidade, mas é dispensável, a não ser que a intenção seja também conhecer algumas cidades próximas como Viña Del Mar, Valparaiso...  Para visitar vinícolas, há vários serviços de transporte.  Algumas delas mantêm lojas próprias na cidade e podem ser visitadas até mesmo de metrô.  Nós gostamos muito da El Mundo Del Vino, uma loja multimarca com preço e atendimento excelentes.
Se além das delícias do vinho, você também gosta de bons restaurantes, o bairro da Providencia é ótimo.  Recomendamos o Tiramisu (não exatamente na Providencia, mas bem perto), um lugar movimentado, bonito, com um cardápio completo, incluindo deliciosas pizzas.  Na Av. Pedro de Valdivia tem o Del Cocinero, uma pequena casa com ótimos pratos.  Tem também o Café do Hotel Orly para pequenas refeições.



Mais abaixo, no bairro da Bela Vista, as opções são muitas também. O Azul Profundo, para quem aprecia peixe é imperdível.  Há também, na mesma rua, o Como Água para Chocolate.  Aliás, a Bela Vista é outro local que você não pode deixar de ir. Próximo do bairro, de onde se vai até a pé, tem o Mercado. Lá se saboreia peixes e frutos do mar da melhor qualidade também, e com preços variáveis. E se você gosta de caranguejo, não deixe de provar o Centoya. Imperdível!




Uma dica importante: se tomar o metrô próximo ao Mercado fique atento. É uma região muito apreciada por batedores de carteira. Os próprios chilenos nos alertam para isso no Mercado. A tática é a de sempre, com empurrões estranhos na entrada do vagão e quando você se dá conta, já foi.
Ah, quase me esqueço da Patricia Ready, no bairro Las Condes. Uma galeria de arte com obras belíssimas e com um bistrô que oferece ótimos pratos. Só lamentamos não servir vinho (nada alcoólico). Mesmo assim, vale a pena.


Finalmente, outro passeio bem interessante é visitar o Centro Artesenal Los Dominicos, no extremo da cidade, quase aos pés da cordilheira. Última estação do metrô. Tem de tudo.  Coisas bonitas, coisas feias. Desde bugigangas até obra de arte a gente vê por lá.





Santiago

Mendoza




Uma pousada excelente, localizada há 15 km de Mendoza. Pequena, com apenas cinco aposentos, administrada pelo próprio dono, Jose Luis, uma graça de pessoa. Uma chácara linda, com oliveiras, uvas, piscina e uma proposta de agregar pessoas. O café da manhã é servido numa mesa comunitária. Em uma das noites, quando retornamos para a pousada, fomos convidados pelo Jose Luis a nos juntarmos a um grupo que degustava vinhos e comidinhas na varanda de sua casa, ao lado da pousada. Brasileiros, ingleses, canadenses e americanos à mesa. Muitas histórias, em especial do casal inglês que se mudou para Mendoza e hoje é dono de uma pequena vinícola. É esse o espírito do lugar.

Distâncias
Santiago - Mendoza 365 km
Mendoza - Aconcágua 199 km
Aconcágua - Santiago 166 km
Santiago - Túnel 154

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A evolução


Semana passada comprei um produto que custou R$ 4,58. Dei à balconista R$ 5,00 e peguei na carteira 8 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer. Tentei explicar que ela tinha que me dar 50 centavos de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. 

Por que estou contando isso? 

Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:

1.  Ensino de matemática em 1950
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.  O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro? 

2.  Ensino de matemática em 1970
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.  O custo de produção desse carro de lenha é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. 
Qual é o lucro?

3.  Ensino de matemática em 1980 
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.  O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.
Qual é o lucro? 

4.  Ensino de matemática em 1990
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.  O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.  Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
(  ) R$ 20,00   (  ) R$40,00   (  ) R$60,00   (  ) R$80,00   (  ) R$100,00 

5.  Ensino de matemática em 2000 
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$ 100,00.  O custo de produção desse carro de lenha é R$ 80,00.  O lucro é de R$ 20,00.  Está certo? 
(  ) Sim  (  ) Não 

6.  Ensino de matemática em 2007 
Um cortador de lenha vende um carro de lenha por R$100,00.  O custo de produção é R$ 80,00.  Se você consegue ler coloque um X no R$ 20,00. 
(  ) R$ 20,00   (  ) R$40,00   (  ) R$60,00   (  ) R$80,00   (  ) R$100,00 

Onde vamos parar?